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Belo Horizonte - MG
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_____________________Impressos

[ Revisitando as Psicoses ]
[ Sexta do Ócio ]
[ Dez Encontros ]

Arte e Psicanálise
"A partir de imagens digitalizadas de trabalhos de artistas contemporâneos, alguns psicanalistas lançam um sentido sobre a obra".

[ André Burian e Guilherme Massara ]
[ Angela Oliveira e Musso Greco ]
[ Cláudia Renault e Francisco Goyata ]
[ Flávio Augustos e Geraldo Martins ]
[ Léo Ladeira e Cristina Vidigal ]
[ Luiz Flávio e Cristiane Barreto ]
[ Miguel Coutinho e Carlos Perktold ]
[ Rodrigo Ratton e Angela Torres Lima ]



___________________Vídeos/Interfaces

"6 Radicais"
[ panorama interativo em QuitimeVR ]


"Paisagens Interativas"
[ panorama interativo em QuitimeVR ] [1,8Mb]
[ arquiteturas ] [8,45Mb]
[ cadáveres ] [5,64Mb]
[ caminhões ] [7,00Mb]
[ carros ] [10,78Mb]
[ placas ] [2,75Mb]
[ quebar-molas ] [1,37Mb]
[ texturas ] [4,97Mb]
[ pedestre ] [8,80Mb]



"Circuito e Imagem" [7,25Mb]
[ vídeo para ver no escuro ]


O neutro (ou um olhar psicanalítico acerca da obra de André Burian)

Vista da rodovia, a carcaça do animal sequer é verdadeiramente avistada. Carcaça produzida pela mesma correria que torna opaco seu avistamento, ali permanece a se desfazer. Torna-se parte da via em que se produziu o instante de sua morte. O cadáver do animal, insígnia do horror que o destino perecível da carne promove, resta neutro, enquanto os veículos seguem alimentando a via contínua. A vida continua.
O artista, contudo, se não faz propriamente reviver com seu gesto aqueles restos que ali se decompõem, ao menos os imortaliza - os celebra, torna-os célebres. A palavra, gravada na cena, voz exterior, parece nascida das entranhas do bicho morto. Estenografia de seu último suspiro. Palavra do ser sem palavras - do animal, do cadáver - e que revela do mundo sua realidade neutra, desprovida de sentido, perecível, fadada a desaparecer. O afeto, recusado na pressa de um avistamento, renasce aqui, transfigurado, da comunhão dos restos. Tal obra de André Burian engendra uma definição da arte aos modos da intuição do pintor austríaco Oskar Kokoshka, a saber, "aquilo que faz a vida renascer do nada". Em torno desse vazio de uma vida atropelada, e sobre o suporte dos restos condenados ao desaparecimento, o artista/autor escreve. Aqui a palavra não coincide com a morte da coisa. Mas com sua ressurreição. A vida ressurgindo do interior insabido dos restos do horror, do nojo, da insensatez, e de um olhar que se demora sobre o neutro. Ou ainda, como dissera Freud, "daquilo que deveria ter permanecido escondido, mas veio à luz".
Psicanálise e arte contemporânea, dois acontecimentos. Respectivamente, nascida e renascida de um vácuo que se abre na aurora do século XX. Procedimentos solidários em sua atenção prestada aos restos, à morte, ao transitório, ao neutro, à palavra. Sigmund Freud e André Burian. Um psicanalista, outro artista. Sob um avistamento que se demora, dois escritores.

Guilherme Massara Rocha (psicanalista e professor da UFMG).