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_____________________Impressos
[ Revisitando as Psicoses ]
[ Sexta do Ócio ]
[ Dez Encontros ]
Arte e Psicanálise
"A partir de imagens digitalizadas de trabalhos de artistas contemporâneos,
alguns psicanalistas lançam um sentido sobre a obra".
[ André Burian e Guilherme Massara
]
[ Angela Oliveira e Musso Greco ]
[ Cláudia Renault e Francisco Goyata
]
[ Flávio Augustos e Geraldo Martins
]
[ Léo Ladeira e Cristina Vidigal ]
[ Luiz Flávio e Cristiane Barreto ]
[ Miguel Coutinho e Carlos Perktold ]
[ Rodrigo Ratton e Angela Torres Lima ]
___________________Vídeos/Interfaces
"6 Radicais"
[ panorama interativo
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"Paisagens Interativas"
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QuitimeVR ] [1,8Mb]
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A Morte Como Gérmen da Cor
Picasso afirmava que "a criação plástica
é apenas secundária", que "o que conta é
o drama do próprio ato". A artista Angela Oliveira confirma
que a criação é secundária a um drama secreto,
a um aniquilamento primeiro, ao experimentar uma evasão do universo
de suas referências com a morte de seu pai. Sumiram as pinturas
matéricas e esfumadas de antes. A arte não saía mais
de suas mãos, porque ela estava de mãos dadas com o pai,
em seu leito de morte.
"Precisei pintá-lo morrendo", confessou Angela diante
da insuficiência simbólica para dar conta desse momento irrepresentável.
A partir daí, a artista parece ter encontrado um modelo freudiano
de solução psíquica para lidar com a morte. Pintou
quadros que retratam a morte do pai e "recalcou-os", guardou-os
na gaveta, tornando essa pintura lancinante uma espécie de tabu.
Foi essa série de quadros guardados, entretanto, que serviu de
base para a colorida e bem-humorada figuração que apareceu
depois, e que, mais que isso, autorizou a artista a retomar sua arte.
Ao não exibir o tabu, criou um pai-totem, transmutando em sentimento
festivo o luto da filha pintora. As imagens luminosas velam (no sentido
do ocultamento e do velório) o objeto perdido, para que ele seja
apagado, ressurgindo como cor.
Não por acaso, quando conseguiu voltar aos pincéis, sua
primeira pintura foi nomeada por ela como Ego (Eu, em latim). O ato criativo
é o que pode engendrar o sujeito, prescindindo do pai enquanto
suporte do símbolo, mas servindo-se de seu efeito significante
para reconstruir-se, com o que lhe vem de fora de seu corpo dissolvido:
luz das cores e não-luz dos pretos, cheiro da tinta, materiais
comprados no Mercado Central,... A volta do figurativo, desaparecido da
obra de Angela há mais de vinte anos, não é, portanto,
uma opção puramente estética, mas uma necessidade
subjetiva: diríamos, freudianamente, que as partes despedaçadas
da artista precisavam ganhar um corpo.
É no quadro Id onde aparece um negro "saci" com um cachimbo
que poderíamos buscar o real, o isso sem nome de onde viria a inspiração
da artista. "Ce n'est pas une pipe", diria Magritte, como poderia
sabiamente dizer "ce n'est pas un saci". Essa pode ser uma chave
para entrar nessa fase "figurativa" de Angela: estamos, artista
e espectadores, diante de algo novo.
Nem saci, nem cachimbo: território negro de luminosa criação.
Musso Greco
psiquiatra e psicanalista,membro da Escola Brasileira de Psicanálise,
mestre em Psicologia pela UFMG, doutorando em Ciências da Saúde
pela UFMG,
co-autor dos livros Coisa de louco (Ed. Mazza, 1998),
Psicanálise e Psiquiatria: convergências e controvérsias
(Ed. Rios Ambiciosos, 2000),
Oficinas Terapêuticas: sujeito, produção e cidadania
(Contra Capa Livraria, 2004),
Corpo, Sintoma e Psicose: leituras do contemporâneo (Contra Capa
Livraria, 2006)
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