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Belo Horizonte - MG
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_____________________Impressos

[ Revisitando as Psicoses ]
[ Sexta do Ócio ]
[ Dez Encontros ]

Arte e Psicanálise
"A partir de imagens digitalizadas de trabalhos de artistas contemporâneos, alguns psicanalistas lançam um sentido sobre a obra".

[ André Burian e Guilherme Massara ]
[ Angela Oliveira e Musso Greco ]
[ Cláudia Renault e Francisco Goyata ]
[ Flávio Augustos e Geraldo Martins ]
[ Léo Ladeira e Cristina Vidigal ]
[ Luiz Flávio e Cristiane Barreto ]
[ Miguel Coutinho e Carlos Perktold ]
[ Rodrigo Ratton e Angela Torres Lima ]



___________________Vídeos/Interfaces

"6 Radicais"
[ panorama interativo em QuitimeVR ]


"Paisagens Interativas"
[ panorama interativo em QuitimeVR ] [1,8Mb]
[ arquiteturas ] [8,45Mb]
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[ texturas ] [4,97Mb]
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"Circuito e Imagem" [7,25Mb]
[ vídeo para ver no escuro ]


Fêmea labiríntica

O reino augustus dos objetos de flávio feitos de volteios, volutas, voltas e revoltas configura o pictórico labirinto da infância sem minotauro. De rastros de lembranças, de espaços perdidos, de sombras de matérias humanas e de resíduos das engenharias urbanas flávios borda os restos da civilização ocidental, criando auroras geométricas e pictóricas, onde nosso olhar reencontra o mundo onírico e retorcido da infância do homem.

Mattos não pinta a coisa, mas o efeito que ela produz. Seu objeto-pintura é colher os entulhos, os vidros quebrados, os papéis rasgados e a natureza-morta transferindo-os para os contornos da matéria e das cores, parindo o olhar do sujeito sedento de matéria viva.

Suas formas alongadas, curvilíneas e quadradas ultrapassam seus próprios limites, suas mesmidades de restos, construindo uma alteridade, uma outra linguagem que isca a perenidade do instante. Seus objetos cegam o olho criando o olhar.

Sua pintura-objeto passa a nomear o que ela desvela, até ela mesma. Ela não cria o ideal, porque este não existe. Ela não é profunda, porque não há o profundo. Ela não tem o outro lado da moeda. Apresenta-se na rugosidade da superfície. É oração sem reza. Altar sem fé. Monumentos sem heróis. Dor sem tragédia. Tudo em Flávio Augustus de Mattos é uma sindrome contemporânea, é sinuoso e tortuoso: labirintite. No mundo do olhar de Augustus procura-se, nas cores que eclodem da matéria-pintura, a fêmea desde sempre labiríntica.

Flávio leva-nos à infância reencontrada nos objetos-pintura-brinquedos desconhecidos da transformada atualidade. Sua obra resgata as pedras no meio do caminho da humanidade. Esta abundância de matérias não é tradução da matéria. Flávio criou um mundo onde a linguagem é feita de novas e ondulantes cores-objetos, onde "Tudo são objectos. Quase". Seu labirinto é habitado pela imensidão terna do desejo de viver.

Geraldo Martins
Psicanalista