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Espaço Parallello_outras
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![]() Fêmea labiríntica O reino augustus dos objetos de flávio feitos de volteios, volutas, voltas e revoltas configura o pictórico labirinto da infância sem minotauro. De rastros de lembranças, de espaços perdidos, de sombras de matérias humanas e de resíduos das engenharias urbanas flávios borda os restos da civilização ocidental, criando auroras geométricas e pictóricas, onde nosso olhar reencontra o mundo onírico e retorcido da infância do homem. Mattos não pinta a coisa, mas o efeito que ela produz. Seu objeto-pintura é colher os entulhos, os vidros quebrados, os papéis rasgados e a natureza-morta transferindo-os para os contornos da matéria e das cores, parindo o olhar do sujeito sedento de matéria viva. Suas formas alongadas, curvilíneas e quadradas ultrapassam seus próprios limites, suas mesmidades de restos, construindo uma alteridade, uma outra linguagem que isca a perenidade do instante. Seus objetos cegam o olho criando o olhar. Sua pintura-objeto passa a nomear o que ela desvela, até ela mesma. Ela não cria o ideal, porque este não existe. Ela não é profunda, porque não há o profundo. Ela não tem o outro lado da moeda. Apresenta-se na rugosidade da superfície. É oração sem reza. Altar sem fé. Monumentos sem heróis. Dor sem tragédia. Tudo em Flávio Augustus de Mattos é uma sindrome contemporânea, é sinuoso e tortuoso: labirintite. No mundo do olhar de Augustus procura-se, nas cores que eclodem da matéria-pintura, a fêmea desde sempre labiríntica. Flávio leva-nos à infância reencontrada
nos objetos-pintura-brinquedos desconhecidos da transformada atualidade.
Sua obra resgata as pedras no meio do caminho da humanidade. Esta abundância
de matérias não é tradução da matéria.
Flávio criou um mundo onde a linguagem é feita de novas
e ondulantes cores-objetos, onde "Tudo são objectos. Quase".
Seu labirinto é habitado pela imensidão terna do desejo
de viver.
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