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Belo Horizonte - MG
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_____________________Impressos

[ Revisitando as Psicoses ]
[ Sexta do Ócio ]
[ Dez Encontros ]

Arte e Psicanálise
"A partir de imagens digitalizadas de trabalhos de artistas contemporâneos, alguns psicanalistas lançam um sentido sobre a obra".

[ André Burian e Guilherme Massara ]
[ Angela Oliveira e Musso Greco ]
[ Cláudia Renault e Francisco Goyata ]
[ Flávio Augustos e Geraldo Martins ]
[ Léo Ladeira e Cristina Vidigal ]
[ Luiz Flávio e Cristiane Barreto ]
[ Miguel Coutinho e Carlos Perktold ]
[ Rodrigo Ratton e Angela Torres Lima ]



___________________Vídeos/Interfaces

"6 Radicais"
[ panorama interativo em QuitimeVR ]


"Paisagens Interativas"
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A Esfinge


Qual o enigma do seu sofrimento?
A aventura freudiana começou quando Freud fez a suposição que algo estava por trás da máscara do sintoma. No início há uma palavra enigmática que tem efeito traumático e que é preciso decifrar. "Decifra-me ou te devoro" . Assim, o analista coloca o inconsciente a trabalho no que ele melhor sabe fazer, interpretar. Mas quando o inconsciente interpreta, em análise, já não se trata de pura repetição, mas da criação de algo novo, algo que rompe as relações antigas do sujeito com idéias, cenas e palavras que carregam o seu sofrimento.
Um exemplo muito singelo disso encontra-se no filme "Princesa Marie" que aborda o tratamento de Marie Bonaparte com Freud. Depois de algum tempo em tratamento, ela se queixa e lhe pede que pare de chamá-la de "princesa" e que a chame de "Mimi", seu apelido na intimidade familiar. Freud continua a dirigir-se a ela como "princesa". Ela insiste e ele lhe diz que ela nasceu sob este título. Ela argumenta que ele sabe o que isso carrega de sofrimento para ela, já que ela tinha sido decepcionada, espoliada e objeto de uma chantagem terrível em função disso. Freud mantém a posição. Ela insiste, há um impasse. No fim da sessão, ao pé da porta, Freud se decide: ele diz que vai lhe fazer uma pequena confidencia íntima. Ele lhe diz que todas as vezes que escrevia cartas para sua noiva Martha ele sempre se dirigia a ela como "minha princesa". A intervenção tem seu efeito: nunca mais Marie sofre com "princesa". A pequena confidencia de Freud re-introduz o aspecto afetivo ao "princesa" livrando-o de carregar todo o peso do desencontro. A operação em jogo é separar o sujeito do peso da palavra que lastreia o sofrimento. Tratá-lo e não evitá-lo, ou substituí-lo por 'Mimi'.
Como podemos ver a queixa não é o sofrimento. Pode-se sofrer e não queixar ou pode-se queixar a todo mundo sem tirar disso qualquer conseqüência. O sofrimento é um companheiro fiel que através da queixa pode levar um sujeito a procurar uma terapêutica, aquela que promete a felicidade, não necessariamente a um analista. Para que haja uma demanda de análise é preciso que o sujeito desconfie que seu sofrimento não é só uma pura questão, mas que já é uma resposta que ele deu, uma formação de compromisso. Por incrível que pareça, todo sujeito é muito apegado ao seu sofrimento, de alguma forma o identifica ao seu jeito de ser e por isso é necessário muita delicadeza e precisão por parte do analista para que o sujeito suporte esta perda, esta separação.
Por isso a posição do analista se articula a sua escuta e ao seu ato, como criação, e não como algo já pré-estabelecido. Por isso cada análise é única e própria a cada sujeito. E a tarefa da análise é encontrar saídas, desenlaçando o sujeito do nó que cifra seu sintoma.


CRISTINA VIDIGAL