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_____________________Impressos
[ Revisitando as Psicoses ]
[ Sexta do Ócio ]
[ Dez Encontros ]
Arte e Psicanálise
"A partir de imagens digitalizadas de trabalhos de artistas contemporâneos,
alguns psicanalistas lançam um sentido sobre a obra".
[ André Burian e Guilherme Massara
]
[ Angela Oliveira e Musso Greco ]
[ Cláudia Renault e Francisco Goyata
]
[ Flávio Augustos e Geraldo Martins
]
[ Léo Ladeira e Cristina Vidigal ]
[ Luiz Flávio e Cristiane Barreto ]
[ Miguel Coutinho e Carlos Perktold ]
[ Rodrigo Ratton e Angela Torres Lima ]
___________________Vídeos/Interfaces
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Soneto da separação: rasgos do amor,
de um ponto que perdura
Cristiane Barreto. Psicanalista, membro aderente da Escola Brasileira
de Psicanálise - Seção Minas Gerais.
Diego Rivera e Frida Kahlo, pintores Mexicanos,
ressoaram um acontecimento mundo e tempo à fora, não só
pela via da obra de cada um, mas, também, pelo fascínio
de uma passional, e não menos conturbada, relação
amorosa. Um casamento. Ele pintava grandiosidades em murais, com nuances
dela. E amava as mulheres, outras e tantas, ainda que sempre, Frida. Ela,
por sua vez, reinventava seu corpo, construía, a cada estraçalhar,
com a exuberância dos retratos, uma solução íntima.
Autos retratos desconcertantes a remendavam.
Tom e Vinícios de Morais - Sonetos da separação,
quem nunca sofejou pelas bordas dessa canção? Encontro de
música e poesia.
Luiz Flávio - nome do artista - delega, às mãos de
Diego, numa espécie de avesso, uma carta, como página arrancada
do diário de Frida - sua declaração de amor. Amor
que assina e endereça, sabendo fazer-se chegar ao seu destinatário.
São assim as mensagens, chegam sempre ao seu destino, mesmo no
engano. E, o olhar é o destino da obra.
Para a psicanálise, ao menos Lacan a fez assim, não sem
Freud, "a relação sexual não existe" porque
não há "fórmula programada" da relação
entre os sexos. Afinal, o que faz existir um par? Como pode perdurar o
amor? Lacan indaga se não é justamente do defrontar com
este impasse que o amor é posto à prova. Algo pode se escrever.
Há, então, encontro -"no parceiro, nos sintomas, dos
afetos, de tudo que em cada um marca o traço do seu exílio",
do seu exílio da relação sexual. Inventamos parcerias,
enlaces e nomes do amor. O amor, parceiro faz existir.
Da obra e de onde ela nos põe os olhos: o fio solidifica uma presença.
Conexão em uma espécie de fio impossível, que segue
seu curso e encontra um destino. Estetoscópio modificado. Faz lembrar
o rumo da vida de Frida. O acidente que atropela o seu corpo, ao mesmo
tempo que sela seu encontro com a arte, a impede tornar-se médica.
Um circuito interrompido por um corte, que realiza seu trajeto. E é
mesmo o corte que permite uma ligação. Sai dos ouvidos de
um, a ausculta dos batimentos do coração de um outro, dilacerado.
Por um fio. Retratos do que perdura.
Homenagear Freud escolhendo esta obra para admirar a cidade e o rumo do
amor nos tempos atuais não deixa de ser um ode ao amor! E o amor
a Freud, como a arte, instala-se, reinventa-se, vivifica-se. O "Soneto
da Separação", de Diego Rivera e Frida Kahlo, por Luiz
Flávio é, por si, um objeto de amor! Há arte. E,
resta nos, a todo amor, estar atentos.
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