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Belo Horizonte - MG
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_____________________Impressos

[ Revisitando as Psicoses ]
[ Sexta do Ócio ]
[ Dez Encontros ]

Arte e Psicanálise
"A partir de imagens digitalizadas de trabalhos de artistas contemporâneos, alguns psicanalistas lançam um sentido sobre a obra".

[ André Burian e Guilherme Massara ]
[ Angela Oliveira e Musso Greco ]
[ Cláudia Renault e Francisco Goyata ]
[ Flávio Augustos e Geraldo Martins ]
[ Léo Ladeira e Cristina Vidigal ]
[ Luiz Flávio e Cristiane Barreto ]
[ Miguel Coutinho e Carlos Perktold ]
[ Rodrigo Ratton e Angela Torres Lima ]



___________________Vídeos/Interfaces

"6 Radicais"
[ panorama interativo em QuitimeVR ]


"Paisagens Interativas"
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"Circuito e Imagem" [7,25Mb]
[ vídeo para ver no escuro ]


A Família é o inferno de todos nós.

No catalogo da exposição de pinturas de Rodrigo Ratton inspiradas em aforismos de Nelson Rodrigues, uma citação nos dirige para uma concepção psicanalítica da arte. Despida de um de seus antigos atributos, o belo, a obra artística contemporânea teria como referência "A outra face do mundo, aquela que não vemos ou não queremos ver para evitar incômodos a nossa consciência". Deste ponto de vista ela estaria comprometida com o inconsciente.
Nos escritos psicanalíticos, a referência a criações artísticas é constante e constitui uma tentativa de ilustrar aquilo que se passa em uma outra cena, no psiquismo, onde o que acontece não aparece.
No quadro : " A família é o inferno de todos nós" as três figuras grotescas representadas, evocam a tríade do que Freud chamou de "Complexo de Édipo" baseando-se para representa-lo na tragédia grega de Sófocles: "Édipo Rei".
Nessa peça , encenam-se como realizados os desejos que Freud atribui à infância de todos os seres falantes. Édipo casa-se com Jocasta que ele não sabia ser sua mãe depois de ter matado um homem que ele não sabia que era seu pai.
No texto "A família" Lacan, coloca o Complexo de Édipo em relação com dois outros complexos familiares: O desmame ou separação da mãe e o complexo de intrusão, despertando entre o amor e o ódio, a paixão, os ciúmes e a inveja.
De paraíso mítico onde, "sua majestade o bebe" idealizava os pais e julgava-se, como Édipo, o preferido dos Deuses, a família torna-se fonte de desprazer. Os Deuses antigos se transformam em demônios, diz Freud, e talvez ela se torne parecida com o inferno a que se refere Nelson Rodrigues nessa frase irreverente. Diante da crueldade das circunstâncias reais da vida, repleta de acontecimentos trágicos, o dramaturgo, ao invés de sucumbir ou de partir para um confronto agressivo faz humor. E o humor não é resignado mas rebelde: de uma rebeldia triunfante contra o sofrimento.
O artista que retoma na tela o aforismo de Nelson Rodrigues, dando-lhe uma forma pictórica, poderia então dizer parafraseando Freud:

" Olhem! Aqui está a família que parece tão infernal! Não passa de um brinquedo de crianças, digna apenas de que sobre ela se faça alguma pilhéria".

Angela Torres Lima